sexta-feira, 27 de setembro de 2013

mangawa apitap - jogo de bola e huka-huka


Origem do jogo de bola e da luta huka- huka



Esta  historia   versa sobre a origem do jogo de bola tradicional dos Kamayura  e da luta huka – huka. Na historia conta como surgiu huka – huka e (joetyk) jogo de bola (mangawa  apitap. A trama envolve uma rapaz que foi procurar uma esposa em aldeia de outra etnia, a das onças. O rapaz convive algum tempo com a esposa sem o conhecimento dos pais dela, mas os sogros acabam descobrindo sobre o relacionamento. Depois de submeterem o rapaz a alguns testes, nos quais ele se sai bem, os sogros o aceitam. O mesmo  não  ocorre  com os cunhados e outros membros do grupo, que odeiam o rapaz e tentam  mata-la no decorrer dos jogos de bola  e das lutas praticadas  pelas onças, que estariam  na origem do jogo tradicional de bola e da luta huka - huka dos Kamayura.   

O rapaz havia aprendido com a esposa a jogar e lutar bem, e saía vencendo em todas as disputas. Porém  estava consciente do perigo que corria, então decidiu fugir e voltar para  sua aldeia, abandonando e deixando inconsolável a esposa grávida. Os sogros foram até lá e levaram a alma do rapaz, causando a sua morte.

Na narrativa são descritas várias disputas, envolvendo o rapaz e a esposa, de um lado, e o sogro e a sogra de outro, bem como entre o rapaz e diferente espécies de onças.

O mangawa apitap “jogo de bola”, constituía um  elemento tradicional da cultura Kamayura. Era disputado entre dois distintos grupos, como forma de competição intertribal, e também jogado entre os próprios Kamayura, para treino e diversão. Com a introdução do futebol na aldeia, o jogo caiu em desuso. Tarakwaj, autor da presente versão da narrativa, ainda praticava o jogo, que foi presenciado por Kanutari (Koka).

A bola era pequena, do tamanho de uma bola de pingue-pongue, e branca. Era feita com resina de mangaba, que depois de fervida ia endurecendo e podia ser moldada como uma bola. Alternativamente, era uma  bola oca por dentro, elástica e que, ao  bater no chão, produzia um ruído. Para a confecção deste tipo de bola, camadas da resina eram passadas sobre partes do corpo do individuo e, com auxilio de uma semente, era depois retirada em forma de tiras. Estas eram usadas para envolver  uma semente, de  modo a molda uma bola. Depois esta era cortada ao meio para a retirada da semente, sendo  as metades  novamente unidas e envoltas com novas camadas de resina.

No desenvolvimento do jogo, a bola podia ser movimentado somente com os joelhos e com a cabeça, exceto  no primeiro lance, quando a  mão era usada para iniciar o processo de levantamento da bola. O jogador  A lançava a bola com a mão na direção  do jogador B, este rebatia com o joelho, atirando-a na direção de A, que por sua vez rebatia com a cabeça, e assim por diante. Os demais  jogadores  tinham por tarefa recuperar a bola quando esta  se desviava da linha de jogo. Cabeceando a bola, ou impulsionando-a  com o joelho, conforme a altura em que ela estivesse, iam trazendo-a até o principal jogador. Objetivo de cada jogador principal era fazer com que a bola acertasse alguma parte do corpo do adversário, o que defina a vitória. Quando isto acontecia, os equipes trocavam de lado no campo. Nas disputas formais, envolvendo distintos grupos, costumavam jogar pela manhã e também à tarde. Se o grupo visitante obtinha a vitória no jogo, os jogadores entravam  na casas dos s vencidos e pagavam como prêmio todos os pertences, como( rede, cesta, arco, e outras coisas) que ali estivessem. Quando a disputa era vencida pelos jogadores do grupo anfitrião, eles tomavam todos os pertences dos visitantes, que então regressavam sem nada para sua aldeia.

do mesmo modo na narrativa, o jogo era sempre precedido pelo luta chamada joetykap, em Kamayura, e conhecida pelos não-indios como  huka-huka, denominação dada por eles. Trata-se possivelmente de uma formação onomatopaico, relacionada aos  gritos que os contendores emitem durante a luta.

Diferentemente do jogo de bola, a luta se conservou e é de grande relevância na cultura Kamayura e alto-Xinguana em geral. Está presente no Kwaryp “Quarupe”  e em outras celebrações, e é bastante conhecida através da mídia.

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