Origem do jogo de bola e da luta huka- huka
Esta historia versa sobre a origem do jogo de bola
tradicional dos Kamayura e da luta huka
– huka. Na historia conta como surgiu huka – huka e (joetyk) jogo de bola
(mangawa apitap. A trama envolve uma
rapaz que foi procurar uma esposa em aldeia de outra etnia, a das onças. O
rapaz convive algum tempo com a esposa sem o conhecimento dos pais dela, mas os
sogros acabam descobrindo sobre o relacionamento. Depois de submeterem o rapaz
a alguns testes, nos quais ele se sai bem, os sogros o aceitam. O mesmo não
ocorre com os cunhados e outros
membros do grupo, que odeiam o rapaz e tentam
mata-la no decorrer dos jogos de bola
e das lutas praticadas pelas
onças, que estariam na origem do jogo
tradicional de bola e da luta huka - huka dos Kamayura.
O rapaz havia aprendido com a esposa a jogar e lutar bem, e
saía vencendo em todas as disputas. Porém
estava consciente do perigo que corria, então decidiu fugir e voltar
para sua aldeia, abandonando e deixando
inconsolável a esposa grávida. Os sogros foram até lá e levaram a alma do
rapaz, causando a sua morte.
Na narrativa são descritas várias disputas, envolvendo o
rapaz e a esposa, de um lado, e o sogro e a sogra de outro, bem como entre o
rapaz e diferente espécies de onças.
O mangawa apitap “jogo de bola”, constituía um elemento tradicional da cultura Kamayura. Era
disputado entre dois distintos grupos, como forma de competição intertribal, e
também jogado entre os próprios Kamayura, para treino e diversão. Com a
introdução do futebol na aldeia, o jogo caiu em desuso. Tarakwaj, autor da
presente versão da narrativa, ainda praticava o jogo, que foi presenciado por
Kanutari (Koka).
A bola era pequena, do tamanho de uma bola de pingue-pongue,
e branca. Era feita com resina de mangaba, que depois de fervida ia endurecendo
e podia ser moldada como uma bola. Alternativamente, era uma bola oca por dentro, elástica e que, ao bater no chão, produzia um ruído. Para a
confecção deste tipo de bola, camadas da resina eram passadas sobre partes do
corpo do individuo e, com auxilio de uma semente, era depois retirada em forma
de tiras. Estas eram usadas para envolver
uma semente, de modo a molda uma
bola. Depois esta era cortada ao meio para a retirada da semente, sendo as metades
novamente unidas e envoltas com novas camadas de resina.
No desenvolvimento do jogo, a bola podia ser movimentado
somente com os joelhos e com a cabeça, exceto
no primeiro lance, quando a mão
era usada para iniciar o processo de levantamento da bola. O jogador A lançava a bola com a mão na direção do jogador B, este rebatia com o joelho,
atirando-a na direção de A, que por sua vez rebatia com a cabeça, e assim por
diante. Os demais jogadores tinham por tarefa recuperar a bola quando
esta se desviava da linha de jogo.
Cabeceando a bola, ou impulsionando-a
com o joelho, conforme a altura em que ela estivesse, iam trazendo-a até
o principal jogador. Objetivo de cada jogador principal era fazer com que a
bola acertasse alguma parte do corpo do adversário, o que defina a vitória.
Quando isto acontecia, os equipes trocavam de lado no campo. Nas disputas
formais, envolvendo distintos grupos, costumavam jogar pela manhã e também à
tarde. Se o grupo visitante obtinha a vitória no jogo, os jogadores
entravam na casas dos s vencidos e
pagavam como prêmio todos os pertences, como( rede, cesta, arco, e outras
coisas) que ali estivessem. Quando a disputa era vencida pelos jogadores do
grupo anfitrião, eles tomavam todos os pertences dos visitantes, que então
regressavam sem nada para sua aldeia.
do mesmo modo na narrativa, o jogo era sempre precedido pelo
luta chamada joetykap, em Kamayura, e conhecida pelos não-indios como huka-huka, denominação dada por eles.
Trata-se possivelmente de uma formação onomatopaico, relacionada aos gritos que os contendores emitem durante a
luta.
Diferentemente do jogo de bola, a luta se conservou e é de
grande relevância na cultura Kamayura e alto-Xinguana em geral. Está presente
no Kwaryp “Quarupe” e em outras
celebrações, e é bastante conhecida através da mídia.
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