quarta-feira, 16 de outubro de 2013

sobe kamayura

Kamayurá

De possível origem Aruak, os termos kama e yula associados significam “mortos no jirau”, sendo genericamente aplicados pelos povos falantes dessa língua aos vários contingentes tupi que migraram rumo à bacia dos formadores do rio Xingu.

Os Kamayurá jamais se afastaram de sua área de ocupação, na região de confluência dos rios Culuene e Culiseu, próxima à grande lagoa Ipavu, que significa, na língua deste povo, “água grande”. Hoje em dia, a aldeia dos Kamayurá se localiza a cerca de dez quilômetros do rio Culuene, à sua direita. Constituem o território Kamayurá imediato à aldeia, formada pelas casas e pelo pátio cerimonial, a mata vizinha, a lagoa e os riachos.

Habitação
Confeccionada pelos homens, a casa constitui um local de maia escuridão e privacidade, sendo ao mesmo tempo um lugar aberto, de domínio das mulheres e crianças. Em suas laterais habitam várias famílias nucleares e aparentadas. Na parte central, de uso compartilhado, ficam os fogos e o depósito de alimentos.

A aldeiaA aldeia Kamayurá segue o modelo alto-xinguano, com casas de sapê, com teto arrendado até o chão, dispostas circularmente. No centro, um pátio ou “praça” (hoka ‘yterip) aonde convergem os caminhos que conduzem às moradias e lugares públicos. Aí se ergue a casa das flautas (topuwf), com o banco de rodas dos fumantes em frente, onde se reúnem os homens para contar os acontecimentos do dia ou discutir o preparo de uma atividade coletiva. Na praça, são recebidos, com discursos públicos, os mensageiros de outras aldeias e realizadas as lutas corporais do “huka-huka”, cerimoniais intergrupais, rituais, festas. É ainda o local de distribuição de comidas, geralmente em pagamento por serviços prestados, e onde se enterram os mortos.

Alimentação
As principais atividades econômicas dos Kamayurá são a agricultura (mandioca) e a pesca. A agricultura é de colvara. Aos homens cabe a queima e a limpeza do terreno e, às mulheres, o plantio e a colheita. Pescar é responsabilidade masculina, sendo usadas as formas tradicionais (como timbó, o arco e a flecha) e aquelas introduzidas pelos “brancos” (como o anzol, a linha e a rede).

Organização SocialCada casa é ocupada por um grupo domestico composto por um núcleo de irmãos homens, primos paralelos e eventuais ascendentes. O líder do grupo domestico é o ‘dono da casa’ (morerekwat), que coordena as atividades produtivas, as tarefas cotidianas e conta com a participação das famílias nucleares.

Idealmente, as regras de residência definem que, nos primeiros anos de casamento, o marido more da casa dos sogros, pagando-lhes em serviços pela cessão da filha. Cumprido esse período, o casal pode escolher nova residência, em geral a casa de origem do marido. A regra não se aplica aos donos de casa, ao líder da aldeia (morerekwaratuwlap) ou àqueles já casados com outra mulher. Nessas situações, a mulher irá residir na casa do marido e o pagamento é através de bens. O casamento preferencial é entre primos cruzados. O vínculo entre as casas se estabelece pelas alianças concretizadas nos casamentos e pelo apoio ao líder da aldeia.

Ritual
Os Kamayurá e as demais etnias indígenas que convivem no Parque Indígena do Xingu participam de diversos rituais intergrupais, entre os quais o Kuarup (festa dos mortos), em que os mortos são representados por troncos, fincados no pátio da aldeia anfitriã da festa. Nos dias do Kuarup, interdições são levantadas e permissões outorgadas: quem quiser pode se casar, a moça reclusa pode ser liberta, o luto dos parentes vai terminar e o status definitivo será afirmado àqueles cujo falecimento se vai honrar. Próximo ao final da festa, realiza-se a luta corporal conhecida como “huka-huka”.

Situação sócio-lingüística atual
Na aldeia, só falam a língua, usando o português para se comunicar com grupos que não são da mesma família e com não-índios. Possuem uma escola onde todos se encontram para aprender sobre tradição, uma iniciativa que partiu do chefe Takumã, com a preocupação de fazer com que os jovens não percam sua cultura.


a luta do índios

A chegada do europeu
 
O impacto da conquista européia sobre as populações nativas das Américas foi imenso e não existem números precisos sobre a população existente à época da chegada dos europeus, apenas estimativas. As referentes à população indígena do território brasileiro em 1500 variam entre 1 e 10 milhões de habitantes.
Estima-se que só na bacia amazônica existissem 5.600.000 habitantes. Também em termos estimativos, os lingüistas têm aceito que cerca de 1.300 línguas diferentes eram faladas pelas muitas sociedades indígenas então existentes no território que corresponde aos atuais limites do Brasil.
Dezenas de milhares de pessoas morreram em conseqüência do contato direto e indireto com os europeus e as doenças por eles trazidas. Doenças hoje banais, como gripe, sarampo e coqueluche, e outras mais graves, como tuberculose e varíola, vitimaram, muitas vezes, sociedades indígenas inteiras, por não terem os índios imunidade natural a estes males.
Em face da ruptura demográfica e social promovida pela conquista européia, foi sugerido que os padrões de organização social e de manejo dos recursos naturais das populações indígenas que atualmente vivem no território brasileiro não seriam representativos dos padrões das sociedades pré-coloniais.
Esse é um ponto controvertido entre os pesquisadores, pois ainda não há dados suficientes advindos de pesquisas arqueológicas, bioantropológicas e de história indígena enfocando o impacto do contato europeu sobre as populações nativas para que se possa fazer tal afirmativa.
O atual estado de preservação das culturas e línguas indígenas é conseqüência direta da história do contato das diferentes sociedades indígenas com os europeus que dominaram o território brasileiro desde 1500. Os primeiros contatos se deram no litoral e só aos poucos houve um movimento de interiorização por parte dos europeus.


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